ARQUEÓLOGOS ENCONTRAM PIRÂMIDE NO FUNDO MAR MAIS ANTIGA QUE AS DO EGITO

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Engolidas pela água, propositalmente ou não, estas cidades compartilham lendas e tesouros inexplorados




Ao redor do mundo, as águas escondem muitos segredos. No Egito, na China, no Japão estão submersos alguns tesouros: civilizações inteiras engolidas pelas marés. Ao contrário da lenda de Atlântida, essas cidades submersas realmente existem e carregam seus próprios mistérios. Com grandes construções e templos históricos, os locais já foram explorados por pesquisadores, revelando passados milenares e um pouco da vida de seus antigos habitantes.

As estátuas gigantes da cidade submersa de Thonis-Heracleion, no Egito



Arqueólogos ainda encontraram os restos de um enorme templo, construído em homenagem ao deus 
Amon-Gereb — Foto: Franck Goddio

Acreditava-se que a cidade egípcia era um mito durante séculos, até que arqueólogos subaquáticos a encontraram em 2000. Dentre as lendas que cercam Thonis-Heracleion, uma delas afirma que o local abriga o templo em que Cleópatra foi coroada rainha.

Há 2.300 anos, Heracleion era um dos grandes centros portuários do mundo. Poderosa e imponente, estava localizada na baía de Abu Qir, no delta do rio Nilo. Responsável por grande parte do fluxo de mercadorias da região, seu porto controlava todo o comércio egípcio. Ela só perdeu o posto depois da fundação de Alexandria, por Alexandre, o Grande, em cerca de 331 a.C.




De acordo com pesquisadores, a cidade, que é considerada a Veneza do Egito, foi construída em torno de seu grande templo e era interligada por uma rede de canais. A teia aquática formava pequenas ilhas, que abrigavam casas e santuários. As águas, que antes eram parte essencial do seu funcionamento, também foram o motivo de sua queda. A civilização, teria sido engolida pelo Mar Mediterrâneo no século VII, devido a uma subida gradual do nível do mar e do colapso do solo instável da cidade.

O pesquisador Franck Goddio e sua equipe foram os responsáveis pela descoberta. Sua primeira descoberta foi a enorme cabeça de uma das estátuas da época, após anos examinando a costa do Egito. Ao longo das pesquisas, o grupo já encontrou diversas ruínas da cidade e muitos dos artefatos encontrados ainda estão intactos.


Cabeça de cristal: Peça rara é encontrada em naufrágio 
de 2 mil anos no Egito.



A lista conta com gigantes estátuas de faraós, 64 embarcações antigas, 700 âncoras, um pote de pedra maciça cheio de moedas de ouro e cestas com frutas. As descobertas arqueológicas não param de acontecer. Grande parte das estátuas encontradas, feitas de granito e diorito, estão perfeitamente preservadas pela água e tem quase 5 metros de altura.

Junto aos artefatos, os arqueólogos ainda encontraram os restos de um enorme templo, construído em homenagem ao deus Amon-Gereb. Nos arredores do local, os cientistas se depararam com pequenos sarcófagos, usados para enterrar os animais usados como oferendas aos deuses.




Shi Cheng: alagada pelos chineses

Nas profundezas do Lago Quiandao, está uma das maiores cidades submersas já descobertas: Shi Cheng, a Atlântida chinesa. Seu nome significa Cidade do Leão, em mandarim. A região foi um importante centro político e econômico da província de Zhejiang, a 40 quilômetros de Shanghai.

Veja fotos da cidade submersa de Shi Cheng, na China


Construída no século I, durante a Dinastia Han Oriental, ela foi submergida em 1959, para a construção da primeira usina hidrelétrica do país, no rio Xin. Para viabilizar a obra, o governo chinês criou um lago artificial entre a Montanha dos Cinco Leões, inundando a cidade milenar.

Sob 40 metros de água, ela foi esquecida por meio século, sendo redescoberta apenas em 2002. Apesar do abandono, Shi Cheng, que ocupa uma área equivalente a 62 campos de futebol, permanece intacta. Por entre suas ruas, brotam estátuas de dragões e leões, típicas da cultura chinesa, mas o leão, animal que dá nome ao local, aparece com frequência.




Em 2017, a cidade passou a ser vista como um potencial ponto turístico, sendo aberta à visitação como um museu subaquático. Nos mergulhos, é possível explorar de perto a arquitetura bem preservada da cidade, os grandes templos, os arcos memoriais, as residências e até mesmo ruas pavimentadas.

Yonaguni-Jima: as pirâmides do Japão


Conhecida hoje como Monumento Yonaguni, a grande estrutura submersa gera debate entre os pesquisadores. A 25 metros da superfície, está uma formação rochosa com enormes lajes de pedra perfeitamente organizadas em degraus, que se assemelha a uma pirâmide retangular. A estrutura gigantesca de 50 metros de comprimento por 20 metros de largura, ainda é um ponto de interrogação. Os exploradores não sabem afirmar se o local é realmente um feito do homem, ou uma formação rochosa natural. Acredita-se que o local tenha mais de 10 mil anos.

Kihachiro Aratake foi o mergulhador responsável por encontrar as curiosas formações, em 1986. Enquanto buscava um novo ponto de mergulho para explorar, o pesquisador se deparou com as estruturas em um local próximo à ilha Yonaguni, a 125km de Taiwan.


Depois da descoberta de Aratake, um grupo de cientistas liderado pelo geólogo Masaaki Kimura, da Universidade de Ryukyu, no Japão, começou a pesquisar a misteriosa estrutura. Há quem acredite que ela seja o resquício de uma civilização perdida há muito tempo no Pacífico, possivelmente construída pelo povo pré-histórico Jomon, que habitava as ilhas próximas ao Japão por volta de 12.000 a.C.

No entanto, apesar das passagens estreitas, entradas arqueadas e ângulos de 90 graus aparentemente paralelos, a maioria dos geólogos afirma que o Monumento Yonaguni é provavelmente uma formação natural incomum — sobretudo porque a estrutura está conectada a uma massa rochosa maior. Acredita-se que as camadas bem definidas tenham se formado gradualmente, uma vez que o monumento está localizado em uma área sujeita a terremotos.

Formações simétricas do mesmo tipo também podem ser encontradas na natureza. É o caso da Calçada dos Gigantes, na Irlanda do Norte, cujas colunas de basalto interligadas foram formadas por uma erupção vulcânica há milhões de anos.

Embora a história da origem mítica do monumento possa não ser verdadeira, provavelmente continuará a fascinar aqueles que têm a sorte de mergulhar ali e ver de perto o que pode ser um fenômeno geológico único.